domingo, 28 de fevereiro de 2010

Uma força aos pequenos negócios

28 de fevereiro de 2010
Diário Catarinense

INFORME ECONÔMICO
ESTELA BENETTI

Uma força aos pequenos negócios


O empresário Diether Werninghaus, filho mais velho de Geraldo Werninghaus, um dos três fundadores do admirado grupo Weg, de Jaraguá do Sul, decidiu usar parte da sua renda pessoal para investir na Juriti Microfinanças, uma das primeiras instituições privadas de microcrédito produtivo e orientado do país. Fundada há 17 meses, a organização tem 13 agências nos estados de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, e 1,6 mil clientes ativos, sendo 70% informais. Já tem quase R$ 10 milhões aplicados e, neste fim de semana realiza sua primeira convenção geral em Jaraguá.



Werninghaus conheceu o microcrédito em conversas com amigos, se apaixonou pelo modelo fundado pelo economista de Bangladesh Muhammad Yunus e decidiu investir na área. A exemplo do seu pai, que ingressou na política com o objetivo de colaborar para melhorar a vida do país, acredita que financiando pequenos negócios formais e informais dará um impulso expressivo para o desenvolvimento do Brasil.


Por que a decisão de investir no microcrédito produtivo?

Diether Werninghaus – Conheci o microcrédito por meio dos meus sócios, João Krein e Mário Livramento. É uma coisa inovadora, o capital privado participa ativamente desse processo. Além do que, o enfoque social é altamente positivo. Meu pai achava que atuando na área política, iria influenciar em alguma coisa para melhorar o país, e realmente influenciou. Foi vereador, deputado estadual e prefeito de Jaraguá. E quando eu conheci o microcrédito, achei que também poderia fazer a diferença atuando mais diretamente na área de empreendedorismo. Saí da retórica para a prática.



Qual foi o capital inicial e quanto está aplicado hoje?

Werninghaus – A Juriti começou com capital inicial de R$ 1 milhão e foi crescendo. Já emprestamos perto de R$ 8 milhões e os valores dos créditos a receber são de R$ 9,94 milhões. Usamos a mesma metodologia do microcrédito produtivo e orientado fundado por Muhammad Yunus, adotado pelas demais 19 organizações de microcrédito do Estado como a Casa do Empreendedor, de Joinville, e o Blusol, de Blumenau.

Onde a Juriti atua e quais são as metas de expansão?

Werninghaus – Atuamos nos três estados do Sul, com 13 agências, sendo que duas delas estão sendo abertas agora, em Rio do Sul e em Canoas. Nossa intenção é consolidar presença no Sul.

Quantos clientes são informais?

Werninghaus – Temos por volta de 1,6 mil clientes ativos. Desses, cerca de 70% são informais e 30%, formais. Cobramos juros de mercado para o segmento, menos de 4% ao mês. O nosso leque de clientes é muito grande, vai desde sorveteiro e pipoqueiro até o empresário que tem padaria e mercearia. Temos muitas clientes que compram máquinas para fazer facção. Hoje, cerca de 45% das nossas operações de crédito são para mulheres. Em média, o valor emprestado é de R$ 4 mil. O mínimo que financiamos é R$ 500 e o máximo, R$ 10 mil.

A maioria dos empreendedores já conhece o microcrédito?

Werninghaus – Dos três estados, sem dúvida, Santa Catarina tem mais a cultura do microcrédito. Temos aqui 19 instituições que já praticam isso, mas é um mercado tão grande que cabe muita gente ainda. Para difundir o sistema fizemos uma caravana no Paraná. O empreendedor não sabe que é empreendedor, ele acha que é um sobrevivente da vida. Nós temos a figura do agente de crédito para orientar os empreendedores. Ele tem o primeiro contato com o cliente e faz a análise sócio-econômica.

Quanto a Juriti deve emprestar este ano?

Werninghaus – Planejamos emprestar R$ 1,2 milhão por mês este ano, mas podemos aumentar para R$ 1,7 milhão. Vamos emprestar os recursos devolvidos pelos clientes e incluir dinheiro novo. Temos um contrato com o Badesc pelo qual estamos usando linha de R$ 2 milhões. Também estamos fazendo contatos com a Caixa Econômica Federal e bancos privados para conseguir mais empréstimo e aumentar a oferta de crédito.

Diether Werninghaus

É engenheiro mecânico formado pela UFSC com especialização em Administração de Empresas pela Esag/Udesc. Começou a carreira fora do grupo empresarial da sua família, a Weg. O primeiro emprego foi em empresa de ferramentas de precisão, em Curitiba. Também atuou na gestão de outros negócios familiares e foi membro do conselho de administração do grupo Weg.

Em 2007 abriu mão de ser conselheiro e, em setembro de 2008, abriu a Juriti Microfinanças com os sócios João Krein e Mário Livramento. Diether Werninghaus, 53 anos, é casado, tem uma filha e dois netos.

Agências

O foco da Juriti Microfinanças é atuar com microcrédito na Região Sul. A sede operacional da instituição é em São José dos Pinhais, no Paraná, e a matriz fica em Jaraguá do Sul.

Em Santa Catarina, as filiais estão em Ibirama e Rio do Sul. No Rio Grande do Sul, a Juriti tem presença maior, com sete agências. Está em Porto Alegre, Pelotas, Canoas e Bento Gonçalves, e tem parcerias com a Instituição Comunitária de Crédito nas cidades de Santa Maria, Caxias do Sul e Frederico Westphalen. No Paraná, tem filiais em Ponta Grossa, junto à Sodetec, e em Curitiba.


Yunus

Embora tenha adotado o modelo de microfinanças do economista de Bangladesh, Muhammad Yunus, o empresário Diether Werninghaus ainda não teve oportunidade de encontrá-lo. Disse que estava viajando quando o bengalês esteve em Santa Catarina, há cerca de dois anos, mas pretende conversar com ele na próxima oportunidade.

–Na última vez que ele esteve no Brasil, deixou claro que o governo não deveria interferir no microcrédito, o que nos deu energia para continuar o nosso trabalho – comentou.

Informais

Diante das facilidades para formalizar pequenos negócios com a nova lei do Empreendedor Individual, a Juriti está orientando seus clientes informais a registrar suas empresas. E como tem foco no investimento, também vem firmando acordos com lojas que vendem máquinas e equipamentos para financiar os investimentos. Isto porque a maioria não é cliente de banco.


Cerca de 45% das nossas operações de crédito são para mulheres. Em média, o valor emprestado é de R$ 4 mil.

O mínimo que financiamos é R$ 500 e o máximo, R$ 100 mil.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

O Desafio do Microcrédito

Opinião do dia 2


Jornal  Gazeta do Povo
O desafio do microcrédito

Publicado em 23/02/2010
Mário Livramento

Passado o tempo em que a discussão era a de ofertar ou não o crédito ao empreendedor informal, nos deparamos com um novo desafio: o de encontrar operadores para trabalhar com os recursos destinados a ele. O governo brasileiro tem em média R$ 1 bilhão para oferecer ao setor do microcrédito produtivo orientado. Entretanto, grande parte desse valor não chega aos pequenos empresários, àqueles menos estruturados que necessitam desse capital para desenvolver seu negócio, crescer, se formalizar, aumentar sua margem de lucro e assim ampliar a geração de emprego e renda.

Ainda não temos organizações suficientes e interessadas em operar esse volume de crédito no Brasil. Não há vontade das organizações em se preparar para a sua aplicação no mercado, uma vez que essa é uma operação considerada cara e trabalhosa. Todavia, é necessário encarar que à medida que o mercado que está no pico da pirâmide, onde estão concentradas estruturas com maior poder econômico, vai ficando mais competitivo, as instituições financeiras e organizações afins vão se obrigando a descer para trabalhar com a sua base. Isso já vem ocorrendo.

A sociedade já avançou bastante nesta questão de financiar também o informal, pois entendeu que à medida que um empreendedor vai crescendo, ele se obriga a formalizar seu negócio, tendo em vista o seu progresso, o aumento da lucratividade e da sua competitividade. Há um conjunto de fatores que fazem com que o empreendedor fique na informalidade por mais tempo. Mas quem oferece microcrédito não entra nesse mérito. Há uma consciência de que o próprio empreendedor sabe o momento certo para se formalizar e que se esse processo for acelerado, ele certamente ocasionará mais riscos para o empreendimento. No momento em que um empreendedor começa a prestar serviço para uma grande empresa ou órgãos governamentais, ele necessariamente busca a formalização.

A grande dificuldade, hoje, é ter microcrédito em larga escala. O governo já criou vários mecanismos de estímulos, utiliza parte do depósito de compulsórios para aplicar em microcrédito, mas, as instituições financeiras teimam em não operar neste setor. Seja porque não dominam ou porque não querem dominar a sua metodologia.

Elas têm foco apenas em negócios mais estruturados. A atividade bancária é uma das mais estruturadas, talvez a mais desenvolvida no mundo todo, e no Brasil ela é altamente sofisticada; atua muito com a automação, enquanto o microcrédito se baseia em especial no relacionamento pessoal.

A metodologia do microcrédito pede que se avalie bem o cliente, que se aplique um levantamento socioeconômico, verifique se o empreendedor foi bem transparente ao fornecer os dados do seu negócio, se houve receptividade na visita do agente de crédito.

O agente de crédito também verifica se o empreendedor investiu o capital naquilo que planejou e informou ao solicitar o empréstimo. É um processo que gera cumplicidade e ao mesmo tempo uma certa autoridade ao agente para que ele possa cobrar, se necessário for, o resgate do crédito. De outro lado, o empreendedor percebe que a instituição apostou nele, estimulando-o a conduzir o seu projeto e a arcar com os compromissos financeiros.

O que percebemos hoje é que os bancos ditos oficiais conseguem descer um pouco mais os degraus na escala dos mais necessitados, porém ainda não ao ponto de chegar ao negócio informal. É preciso ter diversas estruturas envolvidas com o microcrédito e de forma integrada, para que ele chegue realmente a quem mais precisa e em larga escala. O microcrédito é muito significativo em sua missão, mas possui uma fatia pouco significativa no mercado, mesmo sendo o combustível para a iniciativa empreendedora.

É preciso lembrar que não há sociedade forte sem empreendedorismo forte. É chegado o momento de levar o empreendedorismo a sério e construir estruturas sólidas e mecanismos sólidos de apoio a essas estruturas.

Mário Livramento é diretor executivo da Juriti Microfinanças, Organização da Sociedade Civil de Interesse Público, realizadora da Caravana de Negócios para o Microempreendedor Individual

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Veja as perguntas mais frequentes sobre a Caravana e descubra oportunidades de crédito e de negócios para sua empresa

Perguntas mais frequentes

Quem pode participar da Caravana?
Resposta: Qualquer empresa, formal ou informal.


Como as empresas podem participar?
Resposta: Como fornecedoras (Expondo seus produtos) ou como consumidoras, comprando das Grandes Empresas (EXPOSITORAS)


As empresas poderão financiar suas compras ainda no evento?
Resposta: Uma equipe técnica da Juriti Microfinanças estará no local do evento para fazer análise de crédito. Dependendo da ocasião, como empresas poderão fechar negócios com nenhum local próprio já o financiamento acertado.


Tenho que pagar para entrar no evento?
Resposta: Para visitar uma feira não, apenas para expor, APOIAR ou patrocinar o evento.


Como posso Obter mais informações sobre valores e minha participação?
Resposta: Basta enviar e-mail em e-mail para caravanadenegocios@juriti.net ou ligar para (41) 3081-0508.


Quem está realizando o evento?
Resposta: A realizadora é a Juriti Microfinanças, uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), que tem como objetivo Oferecer Soluções Financeiras para micronegócios.


Onde e quando serão realizados os eventos?
Resposta: Os eventos Serão realizados a partir de março deste ano, em bairros populares das cidades de Curitiba, São José dos Pinhais e Ponta Grossa.


O que eu vou encontrar de oportunidade no evento?
Respostas: Oportunidades para fechar negócios Obter e Crédito, palestras técnicas sobre empreendedorismo, palestras motivacionais, apresentações teatrais e workshop sobre a vida empreendedora.


Envie suas dúvidas, sugestões ou perguntas para caravanadenegocios@juriti.net ou ligue para (41) 3081-0508